Comportamento do comprador B2B: Principais fatores que influenciam a decisão

Entenda os principais fatores que influenciam o comportamento do comprador B2B e a decisão de compra. Da percepção de valor e risco à confiança, reputação e motivações pessoais do decisor.

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Raissa Andrade

6/29/20267 min ler

Decisões no B2B: Principais fatores que influenciam o processo de tomada de decisão
Decisões no B2B: Principais fatores que influenciam o processo de tomada de decisão

“Ninguém é maluco, a gente só faz o que tem lógica.”

Essa frase sintetiza um conceito essencial pra entender como as decisões de compra entre empresas são tomadas. No mercado B2B, muitos ainda insistem que as escolhas são feitas apenas com base em análises, métricas e estratégias racionais.

Mas a realidade é outra: por trás de cada decisão existem pessoas, e pessoas são emocionais.

A decisão de compra B2B é influenciada por fatores econômicos, funcionais, organizacionais e pessoais. Preço, adequação da solução, retorno esperado, risco percebido e confiança no fornecedor pesam na avaliação, porém as motivações de quem toma a decisão também influenciam a escolha — e muito!

Afinal, o que define a escolha entre uma consultoria e outra? Entre um software e outro? Apenas funcionalidades? Preço? Suporte? Ou existe algo maior em jogo?

Neste artigo, você vai entender por que a marca é um fator decisivo no B2B e como ela impacta a diferenciação, as decisões de compra, a retenção e o crescimento do seu negócio.

Principais pontos que vamos abordar neste conteúdo:

  • Quais fatores influenciam a decisão de compra B2B?

  • O mito da decisão 100% racional no B2B

  • Motivações humanas por trás das decisões no B2B

  • Como o branding reduz o risco das decisões de compra

  • Como a marca influencia a percepção e a escolha

  • Por que as emoções importam no B2B?

Quais fatores influenciam a decisão de compra B2B?

Embora cada processo de compra tenha suas particularidades, alguns fatores são frequentes nas decisões B2B. O peso de cada um varia conforme o tipo de solução, o risco envolvido, a empresa e as pessoas que participam do processo de compra.

Adequação da solução

O comprador precisa perceber que a solução atende às necessidades e objetivos da empresa; boas funcionalidades não são suficientes.

Percepção de valor

A decisão não depende apenas do preço. Quem decide compara o investimento com o valor, os resultados e os benefícios que espera obter.

Preço e retorno esperado

Mesmo quando o preço não é o principal critério, ele precisa estar dentro das expectativas de retorno esperado, dos custos envolvidos e das alternativas disponíveis.

Risco percebido

Quanto maior a consequência de uma escolha errada, maior a necessidade de segurança, evidências e confiança no fornecedor.

Reputação da empresa

Histórico, posicionamento, cases, referências e a forma como a empresa é percebida no mercado funcionam como sinais para avaliar o fornecedor.

Confiança no fornecedor

O comprador precisa acreditar que a empresa é capaz de entregar o que promete e estará presente para resolver problemas quando necessário.

Impacto profissional da escolha

Quem decide também está colocando sua própria reputação e carreira em jogo. Uma escolha errada gera consequências para a empresa, e principalmente, para o decisor.

Influência de outras pessoas

Decisões B2B raramente dependem de uma única pessoa. Colegas, gestores, usuários, financeiro, compras e outros stakeholders exercem influência na escolha. (fonte: Gartner Sales Survey Finds 74% of B2B Buyer Teams Demonstrate "Unhealthy Conflict" During The Decision Process).

Ainda assim, considerar esses fatores não é sinônimo de que o comprador esteja fazendo uma análise puramente racional. Justamente aqui entra um dos maiores equívocos sobre o comportamento de compra B2B.

O mito da decisão 100% racional no B2B

O mercado B2B é sinônimo de vendas complexas, que às vezes, se assemelham a um jogo de xadrez: cada movimento é bem calculado, além de envolver riscos e vantagens.

Por isso, é comum imaginar que decisões em empresas B2B sejam tomadas com base exclusivamente em métricas objetivas. Afinal, estamos falando de dados, eficiência e otimização de processos. No entanto, essa ideia ignora um ponto fundamental: quem toma as decisões são pessoas.

A compra de um software ou serviço não acontece apenas porque a solução é tecnicamente superior. Se fosse assim, todos usariam a ferramenta mais avançada e o mercado seria previsível.

Na realidade, vemos que branding, percepção de valor e conexão emocional são fatores decisivos na escolha de um fornecedor.

Motivações humanas por trás das decisões no B2B

Quem decide qual software contratar ou em qual solução investir dentro de uma empresa tem motivações próprias, muitas vezes emocionais (fonte: Assessing the role of emotions in B2B decision making: an exploratory study). Algumas dessas motivações são:

  • A pressão para acompanhar a concorrência;

  • A busca por status e reconhecimento no setor;

  • O receio de errar e sofrer impacto na reputação profissional;

  • A necessidade de justificar sua contratação nos primeiros 90 dias no cargo.

  • O desejo de demonstrar resultados rápidos e obter reconhecimento profissional;

  • A necessidade de reduzir a incerteza diante de uma decisão que pode gerar consequências para a empresa e para o próprio decisor.

Esses fatores mostram que, no fim das contas, as escolhas são feitas pra atender tanto às necessidades da empresa quanto às necessidades individuais de quem decide (fonte: artigo Boost Sales by Addressing the Emotional B2B Buying Journey, Gartner)

Sendo assim, se torna impossível e desinteligente — pra ser polida, é claro — ignorar o fator humano e o peso das aspirações pessoais quando se trata de decisões de compra.

Como o branding reduz o risco das decisões de compra

Dentro das nuances das decisões B2B, o ponto mais importante é: você, sua empresa e sua solução representam um risco para quem toma a decisão de contratar o seu software ou serviço. E isso porque, pode dar muito certo ou dar muito errado.

Sendo assim, o papel da sua marca é mitigar os riscos percebidos na tomada de decisão. Quando um executivo escolhe um software ou serviço conhecido e bem-posicionado no mercado, ele está diminuindo suas próprias incertezas.

As decisões no B2B não tratam apenas de dinheiro, mas de status, reputação (da empresa e do decisor!), crescimento na carreira ou uma demissão iminente. Você carrega esse peso, você está totalmente ligado à vida dessa pessoa.

Logo, se sua startup ou consultoria tem uma marca consistente, mensagens claras e percepção de valor positiva, — você se torna a escolha segura. É mais fácil confiar em quem já é bem-visto no mercado do que apostar em um completo desconhecido.

Entende agora a importância de ser visto da maneira certa e pelas pessoas certas? Este é o papel do branding: construir uma reputação capaz de fazer a sua empresa ser vista e conquistar o seu espaço no mercado.

Como a marca influencia a percepção e a escolha

Além de construir confiança, uma marca bem construída e bem posicionada gera lembrança no público. Essa lembrança, aumenta as chances da empresa ser considerada assim que surge a necessidade de compra e também diminui o esforço na retenção de clientes.

Na prática, é bem simples: se as pessoas conhecem e se agradam; passam a gostar, se gostam, confiam; e quando confiam, compram e permanecem comprando.

Funciona como um app de relacionamentos: você tem o seu perfil de pessoa ideal, dentro desse perfil, você escolhe as melhores combinação, para no fim, ficar com aquela que mais chama sua atenção e gera identificação. Com as marcas acontece o mesmo: é preciso estar entre a lista de preferências do seu cliente ideal.

Quando você tem espaço nesse top 5 fornecedores preferidos, as chances de ser escolhido (e permanecer como escolha) são ainda maiores. Porém, para isso, é necessário investir na construção de marca de forma inteligente.

Por que as emoções importam no B2B?

Confiança, percepção de valor, reputação e segurança também influenciam a forma como a empresa é avaliada. E cada um desses fatores é influenciado pela perspectiva pessoal do decisor e de suas emoções (ainda que muitos não gostem de admitir).

No fim, quanto maior o risco percebido em uma decisão, mais importante se torna transmitir segurança. E é justamente por isso que o branding faz parte da decisão de compra.

Nossas decisões seguem uma lógica, às vezes racional, em outras emocional. Na maioria das vezes, a lógica emocional vence. E essa premissa também serve para o B2B.

Somos seres emocionais obrigados a viver de forma racional. Às vezes pelos outros — algumas vezes por nós mesmos — mas no íntimo, as emoções ditam as regras.

A gente só disfarça depois com uma razão plausível, afinal, ninguém é maluco.

Conclusão

No mercado B2B, decisões de compra não envolvem apenas preço, funcionalidades ou retorno esperado. Risco, reputação, confiança e as consequências da escolha pra quem decide também pesam nesse processo.

Por essa razão, o papel da marca é importante: ela constrói os sinais que fazem a empresa ser reconhecida e percebida como a escolha segura. Não substitui uma boa solução ou uma boa entrega, é claro, mas influencia a forma como esses atributos são percebidos.

No fim, ter uma boa solução não é suficiente, é preciso transmitir segurança suficiente para que alguém se sinta confortável em escolher a sua empresa.

E essa segurança começa muito antes da proposta comercial.

Referências utilizadas:

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Raissa Andrade, estrategista de marcas e designer B2B — Estúdio Aguila
Raissa Andrade, estrategista de marcas e designer B2B — Estúdio Aguila

Quem escreveu este artigo

Raissa Andrade é estrategista de marcas e designer especializada em consultorias e startups B2B.

Há 4 anos à frente do Estúdio Aguila, auxilia empresas B2B a construírem marcas que geram confiança, diferenciam e crescem com consistência. Autora da Newsletter Negócio, Marca & Produto.

Raissa Andrade

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